Alexandre Aschenbach

Você quer mudar o mundo?


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Se você tivesse a chance, gostaria de mudar o mundo?

Não estou falando em salvar o mundo, apenas em muda-lo, fazê-lo melhor do que é. Isso todo mundo quer, não é verdade?

Pode então ficar feliz porque você pode, e vai!

Mudar o mundo parece uma tarefa difícil, para não dizer impossível. E deve dar um trabalho enorme, não é? Não seria melhor então deixar essa tarefa para outra pessoa, alguém mais importante?

Natural que eu pense assim, porque quando estudamos a história, as pessoas que fizeram a diferença sempre são apresentadas como melhores, maiores, com algo a mais.

 "A história do mundo é apenas a biografia de grandes homens"

Thomas Carlyle (1795-1881)

Essa visão pode nos fazer sentir um pouco menos capazes de mudar o mundo. Mas, no fundo, essa visão é somente a representação do que acontece no estudo formal da história. A história, entretanto, é formada de algo radicalmente diferente.

Tolstoi dizia que a história não era escrita pelos grandes homens, resultava sim do efeito combinado dos muitos pequenos atos quotidianos de indivíduos comuns:

"Um número infinitamente grande de ações infinitamente pequenas."

Lev Nikolayevich Tolstoi (1828-1910)

Mas o que quis Tolstoi dizer é que cada mínima ação que tomamos (ou ainda deixamos de tomar) afeta o formato do mundo.

Então, assim pensando, é importante tomarmos para nós a responsabilidade de cada ato. Devemos reconhecer que todos nós construímos a história a cada instante.

Mas, se ainda persistir a ideia de que somente grandes pessoas mudam o mundo, devo perguntar como reconhecemos uma grande pessoa.

Se houver alguém vestido com um manto e uma coroa, é uma grande pessoa?

E se encontrarmos alguém com vários seguranças, é uma grande pessoa?

O que podemos abstrair nesses casos é que a primeira pessoa deve ser um rei e a segunda pessoa deve ter muitos bens que podem ser roubados. Só isso.

Grandes pessoas são reconhecidas pelas suas ações, pelo que fazem, dizem e pensam, não pelo que vestem ou como se parecem.

Cada um de nós, então, pode ser uma grande pessoa, não? E, se podemos ser grandes pessoas, podemos mudar o mundo, correto?

Mas ninguém muda o mundo todo de uma vez. Sendo mais realistas, podemos mudar o nosso mundo, um pouco de cada vez. Relembremos Tolstoi e pensemos em pequenas ações.

Assim, o que podemos fazer de diferente? O que podemos fazer melhor?

Acordar diariamente nos dá a chance de fazer as coisas de forma diferente e melhor em cada pequena ação. Para isso é preciso deixar de lado a preguiça, negar o conformismo e nos encher de ânimo e vontade, só isso. E só depende de nós.

Até porque não somos ingênuos de tentar mudar as pessoas, queremos mudar o mundo, simples assim. As pessoas até podem mudar, mas como resultado do reflexo das mudanças que fazemos em nós mesmos e em nossas ações.

Da mesma forma que um peregrino que consegue chegar ao final de sua jornada, vamos mudar o mundo, mas um passo de cada vez.

"Nem todo fim é uma meta. O fim de uma melodia não é sua meta; no entanto, se a melodia não chegasse ao fim, tampouco atingiria sua meta."

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900)

Será que já ouvimos alguém dizer que está aguardando o fim de uma música para então apreciá-la? Provavelmente só ouvimos isso se a música for ruim. A música é apreciada durante sua execução e também depois, continuamente.

Assim também o peregrino aproveita sua jornada, aprecia cada passo e comemora cada etapa vencida. Em verdade o fim da peregrinação pode ser até menos emocionante que a jornada em si.

Pensemos, portanto, nas mudanças que desejamos fazer em cada minúsculo ato, como cada nota de uma melodia sendo tocada.

E o que você e eu decidirmos fazer é o que vai mudar o nosso mundo, influenciando o mundo de todos. E o que os outros decidem fazer vai também influenciar o nosso mundo.

Mas é correto deixarmos que os outros comandem o nosso mundo? São terceiros responsáveis pela nossa felicidade, pelo nosso progresso? Seria normal delegarmos nossa vida a outros, terceirizando nossos resultados?

Eu não sou responsável pela felicidade de ninguém, cada um é responsável por sua própria felicidade. O que me cabe, certamente, é deixar o espaço para que todos a minha volta sejam felizes e nunca bloquear a felicidade de ninguém.

Assim, não esperemos que a empresa nos dê algo, façamos por merecer, só.

Ah, mas o meu chefe...

Ah, mas a empresa...

Ah, mas o governo...

Ah, mas o meu marido...

Pare! Você decide seu caminho, você é o maior e único responsável pelos passos que dá e os resultados que obtém!

E podemos ser felizes encerrados em nós mesmos? É possível ser feliz em um ambiente amargo?

Para tomarmos nosso futuro em nossas mãos e termos a oportunidade da felicidade não parece lógico que o ambiente tenha que ser adequado? Mas não é lógico, pois se assim fosse seríamos sempre infelizes em alguns ambientes, sem possibilidades.

Precisamos então CRIAR e MANTER um ambiente adequado.

Gostamos de um ambiente alegre? Gostamos de fazer parte de um time pró ativo? Gostamos de aprender? Gostamos de ser tratados com respeito?

Que bom!

Mas seria impensável desejarmos tudo isso para nós e não oferecermos o mesmo para o ambiente. Sejamos então alegres, pró ativos, ajudemos, ensinemos e respeitemos e então, talvez, possamos conviver com pessoas alegres, pró ativas, que nos ajudem e ensinem. Talvez assim possamos ser respeitados.

Ser feliz passa por nos esforçarmos para que todos ao nosso redor o sejam. Não é obrigação, é só lógico, óbvio.

E se não agimos dessa forma, se a preguiça, a falta de vontade, a mesmice e o mau humor nos consomem, se já não queremos mudar o mundo e preferimos esperar que os outros tomem as rédeas e nos levem para onde melhor os aprouver, podemos esquecer nosso futuro pois viveremos o futuro que definirem para nós.

O que você vai fazer nas próximas vinte e quatro horas? E nas próximas oito horas? Nos próximos minutos?

O que você vai mudar, o que vai fazer melhor?

Nós estamos em uma jornada de mudança, de melhoria, de busca da mudança do nosso mundo, com foco na felicidade de cada instante, e essa jornada começa agora!

Façamos dessa jornada algo agradável, divertido!

Por que? Porque somos capazes, porque merecemos.