Alexandre Aschenbach

Trabalho não é onde você está, mas o que você faz


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O conceito de trabalho sempre foi o mesmo, ou seja, trabalho é algo que fazemos, independente da localização física, dos recursos utilizados ou até da forma como fazemos.

Mas em nossas cabeças, talvez pela rápida evolução da tecnologia, o trabalho ainda depende do ser humano estar em um local físico específico, utilizando recursos pré determinados e executando as tarefas de uma forma pré estabelecida.

Precisamos de um upgrade em nossa forma de pensar sobre trabalho.

Em primeiro lugar, o que realmente importa não é o trabalho, mas sim o resultado do trabalho. O trabalho em si pode ser chato, penoso e desgastante mas o resultado é o que importa. Como o esportista, durante as provas pode sentir-se cansado, dolorido, mas ao atingir seu objetivo, tudo isso passa, tudo parece ficar melhor do que estava.

Assim é o trabalho, ele não importa, importa o resultado.

Bem, se importa o resultado, também não importa onde ele é executado, desde que o objetivo seja atingido.

Será que o colaborador precisa estar sentado em sua cadeira, com o computador ligado, teclando, para que o trabalho seja executado? Ou isso é só uma sensação que o líder, por sua posição, precisa sentir para ter a sensação de controle, de dominância?

Porque o colaborador não pode estar em casa, na praia ou seja lá onde for e, ainda assim, cumprir sua tarefa, executar o trabalho e atingir o resultado?

Tecnologia há de sobra hoje para isso. E em muitos casos pode ser aplicada com economia de custos. Computadores, telefonia, conectividade, não há o que questionar, tudo pode chegar até a empresa ou ser alcançado por ela, basta querer e apostar.

Começou com a filosofia de Home Office, agora é a filosofia de Mobile Office, porque os recursos utilizados também podem ser variados.

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O colaborador pode utilizar o seu próprio tablet, seu próprio smartphone para atingir os objetivos, para trabalhar se você preferir. Isso é chamado de consumerização da TI.

Também aqui não há muitos limites, quase todos os dispositivos hoje podem auxiliar no trabalho do dia a dia.

Há a questão da segurança, da privacidade, que devem sempre ser levadas em conta. Não há como estabelecer Mobile Office ou Consumerização sem estabelecer políticas claras de segurança e privacidade. Ferramentas de segurança também precisam ser adotadas mas, para que estão aí os profissionais de TI senão para resolver isso?

Também já ouvi vários questionamentos sobre a capacidade individual de trabalhar fora de um ambiente controlado. Nesse ponto tenho que concordar: nem todos os profissionais se adequam ao trabalho sem controle, mas questiono o quanto esses profissionais são interessantes para a empresa.

Se a empresa pode economizar ao colocar seus funcionários para trabalhar em casa, um funcionário que se adeque é, por fim, mais barato que outro funcionário que precise do ambiente controlado. Se o funcionário não tem auto controle, capacidade de concentração e disciplina, ele serve para trabalhar na empresa?

Além disso questiono o controle exagerado. Ninguém gosta realmente de ser controlado mas, particularmente, não gosto de ficar controlando. Controlo o resultado, não o trabalho em si. Preparo e confio na equipe que trabalha comigo e é só. Quem gosta de controlar demais ou tem medo de ser traído ou não soube preparar a equipe, e os dois casos são, no mínimo, tristes.

Cada um deve se adaptar de sua forma para o trabalho fora do escritório. Há alguns que defendem que o trabalho fora do escritório deve ser feito da mesma forma, ou seja: acordar, barbear-se, vestir-se, tomar seu café e sentar em frente ao computador; sair para almoçar; continuar trabalhando e "encerrar o expediente" no horário, tomando seu banho e então continuando a vida normalmente. Outros, entretanto, não creem que isso resolve. E eu também não acredito nisso. Acredito que cada um deve se adaptar da sua forma, principalmente em trabalhos que não envolvam muito horário. Há o risco de se perder, mas se houver comprometimento e disciplina, não haverá problemas.

Um exemplo? Claro. Porque eu não posso trabalhar de bermuda em um dia quente, ou envolto em um cobertor em um dia muito frio, com uma xícara de chocolate quente ao meu lado?

Isso nos leva a outro questionamento e que acaba por encerrar a questão sobre a qualidade ou produtividade do funcionário em casa: estarei mais satisfeito, mais feliz, menos estressado se eu não precisar enfrentar o trânsito, se não precisar encontrar um local para estacionar o carro, se não precisar vestir uma gravata? Com certeza, e isso não só aumentará minha produtividade por motivos óbvios mas também fará com que eu não queira "perder" o trabalho que tenho, pois este me possibilita mais que o ganho financeiro, me possibilita um prazer adicional. Meu empenho será maior, a qualidade tenderá a melhorar.

Podemos discutir muito este assunto mas há algo indiscutível: Mobile Office e Consumerização estão aí para ficar, e vão crescer. E como tudo que vem para ficar, se você deixar escapar o tempo, vai perder.