Alexandre Aschenbach

Trabalhadores Tóxicos


img_042_001.png

Ao lado dos profissionais medianos, bons e ótimos, há profissionais que são prejudiciais ao ambiente de trabalho, aqueles que tem comportamento tóxico, a quem podemos chamar de trabalhadores tóxicos.

Conforme o estudo de Housman e Minor (2015), há características e circunstâncias que levam a comportamentos tóxicos, há um estreito relacionamento entre a toxicidade e a produtividade e esse comportamento pode contaminar outros profissionais.

O que me chamou a atenção é que, até o momento, talvez eu não tenha olhado o assunto com a importância que agora me salta aos olhos.

“...um profissional tóxico é definido como um trabalhador que persiste em um comportamento que é prejudicial a uma organização, incluindo tanto sua propriedade quanto as pessoas.” Housman e Minor, 2015

A solução encontrada, ao menos o que diz o trabalho citado, é de evitar tais trabalhadores, evitar tais comportamentos dentro da organização, mas para conseguir isso é importante conseguir identificar os trabalhadores tóxicos e a maneira encontrada para essa identificação é através da observação comportamental.

Segundo o estudo, profissionais que demonstram excesso de confiança, preocupação excessiva consigo mesmo (egoísmo, centralização, forte autoimagem) e aqueles que professam sempre seguir as regras são, normalmente, aqueles que terão comportamentos tóxicos.

Claro que o ambiente também pode contribuir para tais comportamentos, mas não é determinante.

Os trabalhadores tóxicos tendem a ser muito produtivos e são potencialmente mais corruptos. Como se houvesse uma compensação, se superam em produtividade em troca da ética. Essa, segundo o estudo, é a explicação mais comum do porque eles resistem tanto em uma organização.

Ainda estima o estudo que contratar um trabalhador que possa ser classificado no top 1% de produtividade gera bons retornos, porém evitar um trabalhador tóxico é duas vezes melhor em termos de retorno. Isso porque já se provou que o impacto do negativo é muito maior que o do positivo e, portanto, o impacto negativo do trabalhador tóxico causará mais danos do que o impacto positivo do trabalhador extremamente produtivo.

Ao invés de evitar o trabalhador tóxico, talvez fosse possível reverter a situação, trabalhando também o ambiente, mas o estudo não considera esse caminho plausível em vista do esforço que teria que ser feito.

Assim, empresas que mantém trabalhadores tóxicos tendo em vista sua produtividade, podem estar ganhando menos do que ganhariam se os evitassem, além do que o comportamento tóxico tende a induzir outros a se comportarem da mesma forma.

Seguindo o que já foi visto, um trabalhador com comportamento positivo tende a influenciar menos pessoas do que o trabalhador com comportamento negativo.

O estudo também evidencia que trabalhadores tóxicos costumam ser mais rápidos, ainda que essa velocidade tenha impacto na qualidade final do seu trabalho e que, se forem forçados a fazer ajustes na qualidade, os patamares de velocidade, (i.e. produtividade) passam a se equiparar ao trabalhador comum.

Conclui o trabalho que a questão deve se iniciar na contratação, e que todos os esforços devem ser feitos para identificar e eliminar tais trabalhadores.

 

Aconselho fortemente a leitura dos textos, disponíveis nos links abaixo, e uma reflexão sobre o nosso ambiente de trabalho e sobre nós mesmos. O quanto nosso ambiente de trabalho está permissivo, o quanto nosso ambiente de trabalho está favorecendo a presença de trabalhadores tóxicos? Mais profundamente, quanto nós estamos suscetíveis a tais trabalhadores e, por fim, quanto nossos comportamentos já se tornaram tóxicos?

 

HOUSMAN, Michael; MINOR, Dylan. TOXIC WORKERS. HARVARD BUSINESS SCHOOL. 2015. Disponível em: <http://www.hbs.edu/faculty/Publication%20Files/16-057_d45c0b4f-fa19-49de-8f1b-4b12fe054fea.pdf>.

Toxic Employees in the Workplace. CORNERSTONE ONDEMAND 2015. Disponível em: <https://www.cornerstoneondemand.com/sites/default/files/whitepaper/csod-wp-toxic-employees-032015.pdf>.