Alexandre Aschenbach

Papai


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Como é bom ser Papai!

Ficar bobo de vez em quando, ouvindo um pequeno ser chamar.

Responder mil vezes a mesma pergunta, abraçar e beijar.

Sentir-se responsável, bronquear, mas, depois, simplesmente deixar rolar.

Achar graça do que na verdade não tem só para rir junto de quem ri de você!

Sentir-se o máximo quando te pede colo, mesmo sentindo que o peso da idade é incompatível com o peso do rebento.

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Ser o herói que conserta o brinquedo, ao mesmo tempo o carrasco que estabelece o castigo e novamente o príncipe: abraçado e beijado até sufocar.

Lembrar que há alguém te esperando e mesmo que, no fim, já esteja dormindo; invadir o quarto para um último beijinho antes de dormir.

Ouvir a música que não tem ritmo e a letra é sem sentido mas mesmo assim cantar e dançar.

Ser Papai é bom sim!

É quando deixamos de ser apenas homens, quando quebramos o escafandro de aço que nos encobre e passamos a ser capazes de gestos que, em nossa lembrança, só sabíamos fazer quando éramos também crianças.

Parabéns, Papais, estejam nesta esfera ou não. Vocês serão sempre nossos heróis!