Alexandre Aschenbach

Equilibrando a Dedicação ao Trabalho


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Não é incomum encontrar nas empresas pessoas que se esforçam além do esperado.

Essa dedicação, entretanto, tem que ter um limite.

E o limite cada um define, considerando-se, entretanto, uma regra básica: tudo tem seu tempo e para tudo deve haver tempo, e essa divisão deve ser respeitada.

Funcionários que não saem de férias são vistos muitas vezes como vitoriosos, e muitos ainda se gabam disso, usando esse argumento como força propulsora de seu crescimento e demonstração de sua dedicação integral.

Ledo engano. Para ambos, empresa e profissional, a falta de períodos de descanso é prejudicial, seja no curto ou no longo prazo.

Em primeiro lugar o ser humano deve e precisa descansar. Nosso corpo não suporta longos períodos sem descanso sem, depois, cobrar "a conta". E a conta normalmente é mais cara do que estamos dispostos a pagar.

Também o ser humano, como ser gregário, precisa de tempo para dedicar-se à família, aos amigos, divertir-se e, enfim, permitir-se o lazer.

Enquanto estamos na caminhada para o sucesso esquecemos muitas vezes que temos pessoas que esperam de nós mais do que o dinheiro ou o sustento: esperam atenção, dedicação, esforço e presença pessoal efetiva. E os relacionamentos, sem contato, se degradam.

Precisamos medir o quanto é importante dar aquele brinquedo caro para nosso filho ou estar com ele para brincar juntos com o brinquedo mais acessível.

Precisamos medir o quanto é importante dar aquela jóia com ouro e diamantes para nossa esposa ou estar com ela vendo um filme no cinema.

Se perguntarmos para quem nos ama o que preferem, com certeza a resposta será direta: nossa presença.

Como parte integrante de nossas vidas há o lazer, o descanso. Se fizermos uma comparação, trabalhar direto sem descanso é como caminhar por horas a fio sem parar. Podemos conseguir, porém o resultado será, no mínimo, dores no corpo. Se estendermos isso para nossa vida, teremos resultados semelhantes.

Em nossa caminhada para o sucesso deixamos amigos e parentes de lado, ignoramos os alertas dos médicos, ignoramos os alertas de nosso corpo. Talvez não acreditemos, mas nosso corpo é extremamente sábio quando se trata do nosso bem estar. Não levemos isso ao extremo, pois muitos terão de seu corpo o recado de que devem descansar o dia inteiro, todos os dias. Claro que isso é um exagero e nesse caso temos de buscar ajuda psicológica.

Então temos que dividir nosso tempo para que tudo que precisamos fazer "caiba" nas 24 horas do dia. Mais que isso, precisamos "encaixar" nessas 24 horas tudo que é importante para nós, como: trabalho, saúde, lazer, descanso, família e amigos.

Outro dia me preparava para ir ao trabalho, à noite. Normalmente trabalho durante o dia, como a maior parte das pessoas, mas nesse dia em especial precisei voltar para casa e sair novamente. Minha filha de três anos abraçou-me e disse, simplesmente: Papai, você esqueceu-se de dormir!

Na minha ignorância expliquei-lhe que não havia esquecido e que realmente eu iria sair sem dormir para trabalhar, mas que voltaria assim que possível.

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Na verdade minha filha é quem estava me ensinando. Sua sapiência era a mais simples lógica: nós dormimos, acordamos, trabalhamos e voltamos para casa, sempre assim. Nosso corpo precisa disso. Nossa mente precisa disso.

Não somos máquinas, não somos automáticos, e precisamos do descanso.

Como obter tal descanso? Respeitando seu corpo, respeitando sua mente, trabalhando efetivamente no dia-a-dia para obter, como resultado, a tranquilidade para poder descansar sem deixar tarefas atrasadas que nos façam "perder o sono".

A dedicação diária as atividades da empresa faz diferença quando resulta em momentos saudáveis de descanso e diversão com a família e os amigos. Caso contrário, não devemos trabalhar.

Para que trabalhamos? Para obter o sustento, o dinheiro.

Mas para que serve o dinheiro?

O dinheiro não serve para comprar bens nem para ser acumulado, serve para ser aproveitado, para ser utilizado de forma inteligente e saudável.

Por mais satisfação que tenhamos com nosso trabalho a dedicação única e exclusiva ao mesmo precisamos lembrar que um dia iremos parar de trabalhar e, ao olharmos a nossa volta, o que teremos? Se não dedicarmos hoje corretamente o tempo necessário para cada coisa importante em nossas vidas, não restará nada.

Quando começamos a avaliar nossas ações em relação ao tempo que dedicamos a cada atividade normalmente encontramos alguns problemas de direcionamento. Nem sempre o que é mais importante para nós é onde investimos mais tempo e esforço e vice-versa.

O que lhe dá prazer? Quanto você investe nesse prazer? De quem você gosta? Qual o esforço que você investe nesse relacionamento?

Em algum momento perceberemos que estamos fazendo algo errado e, quando isso acontecer, imediatamente inverteremos os valores e novamente teremos um problema.

Não adianta, ao perceber que não estamos nos dedicando ao que é importante simplesmente virarmos a mesa e atacarmos sem critério o outro lado.

Também não teríamos satisfação completa se não nos dedicássemos ao trabalho.

A solução dessa equação é o grande segredo. A solução dessa equação pode nos fazer mais felizes.

Equilíbrio entre as necessidades de nosso corpo, de nossa mente, de nossa família, amigos e trabalho.

É possível sim, e não há fórmula mágica, pois cada um tem necessidades, desejos e anseios diferentes, mas todas as necessidades "cabem" no tempo que temos. Basta procurar com afinco e decidir ser firme em nossos propósitos.

O dia tem apenas 24 horas; a semana, apenas 7 dias; o mês, apenas 4 semanas; o ano, apenas 12 meses. Isso é imutável. A única conta com a qual precisamos nos preocupar é: quantos anos tem a nossa vida?