Alexandre Aschenbach

Delegar não é Pedir nem Mandar


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Todo líder deve saber delegar. Essa é a linguagem corrente e não pretendo discutir isso. Na minha concepção é uma verdade, ao menos até o momento.

Mas há uma confusão tremenda quando se fala em delegar. Alguns acreditam que delegar é pedir. Outros, por sua vez, creem piamente que delegar é mandar. Pior ainda quando entendem que delegar é entregar as tarefas menos nobres ou mais chatas aos subordinados.

Delegar, ao contrário, tem a ver com autoridade, liberdade e confiança.

É preciso delegar sim, entendendo que ao delegar estamos oferecendo, temporariamente ou não, um certo nível de autoridade. Estamos transferindo uma porção de autoridade que é nossa por direito para alguém. Estamos oferecendo poder, ainda que limitado.

Quem delega e fica questionando e incomodando quem recebeu a delegação está, na verdade, mandando. Tem tanto medo do que possa acontecer que simplesmente não permite que a atividade se desenvolva. Nunca conhecerá realmente seu subordinado, pois coloca o dedo em tudo, centraliza demais.

Por isso também que delegar é dar liberdade, ainda que temporária e limitada, a outrem. Dentro do escopo da atividade que foi delegada o profissional que recebe a delegação deverá ter liberdade para exercer a autoridade oferecida.

E para conseguir "deixar" que a autoridade oferecida seja exercida com liberdade é preciso confiar. Se não houver um bom nível de confiança, novamente estaremos apenas mandando.

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E mandar dá muito trabalho, porque mandar significa que não há confiança no subordinado para que exerça livremente a autoridade oferecida, portanto quem manda tem que ficar sempre atento a cada passo dado em seu departamento. Viverá com medo.

Note que é necessário sim manter-se atento, acompanhar as atividades, etc. mas isso não significa sufocar ninguém.

Delegar, por outro lado, também não é pedir. Quando pedimos estamos dando o sentido de "favor". Quando, em sã consciência, um favor poderá ser cobrado? Um favor, um pedido, implica em total liberdade de ação, fugindo eventualmente do escopo da atividade e, ao mesmo tempo, sem oferecer a autoridade que talvez seja necessária para o bom andamento do trabalho "solicitado".

Pedir, nesse caso, implica em um sacrifício. Sim, porque sem ter a autoridade o solicitado terá de revirar-se para conseguir atingir o objetivo. Entende que tem liberdade mas, como isso não foi explicitado então ele pode agir com mais ou menos liberdade do que imaginamos e ainda pode sentir-se amedrontado em exagerar ou tímido em arriscar. Nada disso oferece garantias.

E, como cobrar um "favor"? Como podemos punir um erro? E como abrilhantar a ação se foi um favor apenas, e não uma tarefa? Bem, a punição também não terá medidas e o agradecimento pode parecer (ou ser realmente) exagerado, uma vez que se torna mais pessoal que profissional.

Ainda há um ponto a se pensar: o que devemos ou não delegar? Mas isso fica para outro artigo.

Em resumo, acredito que precisamos delegar sem pedir nem mandar. Delegar deixando claro o que desejamos, quais são as responsabilidades, qual o limite da autoridade e qual o nível de liberdade das ações necessárias para o cumprimento da tarefa. Precisamos nos colocar no lugar de quem recebe a delegação e tomar bastante atenção para garantir que todos os detalhes foram colocados na mesa. Precisamos confiar, demonstrar essa confiança e ao mesmo tempo deixar o caminho aberto para que, em caso de dúvida ou problema, possamos ser acionados sem críticas ou julgamentos.