Alexandre Aschenbach

Bastiões da Mudança


img_039_001.png

O Ataque Emocional

Algo que muito tenho me questionado é até que ponto um profissional deve ir para defender a sua posição, o chamado status quo? Não é somente uma questão de defender o cargo, o emprego, mas sim de defender o status de como as coisas estão, da posição, da influência.

Parece que, para alguns, não há limites estabelecidos, não há condições éticas e morais que possam estabelecer uma quantidade tolerável de falcatruas, de conchavos, de promessas e de maledicências.

Quanto mais nos expomos, e quanto mais incentivamos e promovemos mudanças, tanto mais ficamos à mercê de ataques. A exposição é, por si só, uma bênção e uma praga.

O mais importante, entretanto, é manter a cabeça direcionada para a solução, encarando os problemas que advém das preocupações de forma pragmática e profissional. Não que eu acredite que devemos deixar de lado as pessoas, longe disso, mas ao ataque pessoal deve ressonar o profissionalismo, a técnica.

Quem é ou já foi vítima de ataques pessoais, de defesas de posição e de status, sabe que há alguns meios de se manter altivo.

Não permita que lhe atinjam

O profissional é sim o mesmo “ser” que o pessoal, porém quem ataca a pessoa no ambiente profissional é porque já não tem meios de se defender tecnicamente, ou então não sabe fazê-lo.

Reagir a esse tipo de ataque também de forma pessoal é justamente deixar de lado o seu profissional, ignorar as técnicas e rebater na mesma moeda. Esse tipo de reação causa reflexos e respinga em muitas pessoas, inclusive na sua família.

Permitir ou não que lhe atinjam pessoalmente é uma escolha. Em um momento você pode até se chocar, ou vergar, mas não pode deixar que lhe afetem a ponto de deixar você sem ação.

Mantenha a conduta

Se você é alvo desse tipo de ataque, é porque está incomodando.
Todo agente de mudanças incomoda.
Que ótimo: você está fazendo o seu trabalho!


Quem lhe contratou, então, deve estar com muitas “pulgas atrás das orelhas”, pois nesse momento em que os ataques se iniciam muitas dúvidas surgem, fatos do passado são relembrados e toda a sua conduta é observada.

Simples: mantenha sua conduta, mantenha seus ideais e suas ideias, continue firme e, quanto a isso, não se vergue.

A resiliência serve para não lhe atingirem, mas se usada quanto à conduta, significa que você está sendo permissivo. Em verdade, neste item deve-se manter mais e mais firme, sempre.

Não se exima de responsabilidade
Você conhece alguém que passou a vida lavando pratos e pode dizer que não quebrou nenhum?

Pois bem, todos nós quebramos alguns pratos, todos nós erramos em algum momento. Se for o caso, não tenha vergonha ou medo: assuma a responsabilidade, aponte para si mesmo.

Essa transparência gera, de forma automática, confiança. Claro que isso leva tempo e que depende muito do tamanho do problema gerado e da qualidade de quem recebe suas desculpas, mas, em geral, assumir a responsabilidade é a melhor política.

O que nos leva a outro item:

Comunique sempre
Qualquer processo de mudança gera desconfiança, gera medo. E, muitas vezes, esse medo é o combustível para o ataque.

Quando não comunicamos de forma eficaz, permitimos ao outro que pense o que quiser, que deduza qualquer coisa a partir de qualquer fato ou de sua própria imaginação.

Por isso é importante que a comunicação de mudança seja constante, clara, transparente e objetiva. Não pode haver margem para dúvidas e, se houver, deve-se mudar o meio de comunicação para resolver o impasse.

E, ainda que você esteja no meio dos ataques, sempre é tempo de iniciar um plano de comunicação e deixar claro o que está sendo feito.

Cumpra suas promessas
Em um processo de mudança os prazos são importantes.

Não dar prazos ou falhar com eles é duplamente perigoso. Em primeiro lugar, todos que estavam, de alguma forma, confiantes no processo de mudança, perdem parte da confiança quando ela não acontece no prazo estipulado, ou quanto ela é só uma promessa, sem prazo definido. Por fim, aqueles que já estavam desconfortáveis recebem uma carga de combustível no formato de “eu não falei?”.

É sabido que durante o processo de mudança alguns prazos simplesmente viram fumaça, mas o gestor da mudança precisa informar isso, ainda que seja erro dele mesmo (assuma suas responsabilidades) ou de outros. É preciso dominar e ter controle da situação.

Nunca ataque de volta
Esta é uma regra que pode ser mais pessoal minha do que uma certeza absoluta, mas que, ainda assim, divulgo e propago: não se ataca de volta quem está reagindo, com medo, defendendo suas bases.

Note que, atacar de volta aqui significa devolver o ataque sob forma de contra ataque, com as mesmas armas do agressor.

Não podemos nos tornar os agressores. Não podemos deixar nossas bases, nossa ética, e revidar cada agressão.

Isso não significa, entretanto, deixar de demonstrar que há algo errado, deixar de demonstrar, com ética e transparência, que a mudança virá, ainda que demore mais, que doa mais ou que alguns finjam que ela não está aí.

Não desista
Por fim, nunca podemos desistir.

Quem é elemento de mudança sabe a diferença que pode fazer, sabe o quanto pode auxiliar e sabe que enfrentará muitos obstáculos, terá muitos acusadores, muitos maledicentes e muita farsa rondando.

Quem é elemento de mudança não consegue mudar sua natureza, e, assim, vai continuar na jornada até o fim, seja ele qual for.

Assim, o melhor é não lutar contra sua natureza: carregue o fardo com carinho e com a certeza de que, com ética e propósitos justos, você vencerá junto de quem merece!